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Por que um dos estádios mais famosos do mundo será demolido

San Siro. Foto: AFP

O lendário estádio San Siro, em Milão, será demolido após a prefeitura da cidade aprovar sua venda para Inter e Milan. A decisão, tomada na madrugada desta terça (30) após mais de 11 horas de debate, encerra anos de incertezas sobre o espaço. Os dois clubes, que haviam ameaçado deixar Milão caso a negociação não avançasse, assumirão a posse do estádio e do terreno por € 197 milhões (R$ 1,23 bilhão).

O resultado da votação foi apertado: 24 votos a favor e 20 contra. O acordo garante aos times o controle de mais de 28 hectares de área urbana no oeste da cidade. Se a venda for concluída antes de 10 de novembro, evitará que entre em vigor uma ordem de proteção que impediria a demolição do San Siro, considerado patrimônio esportivo e arquitetônico.

O projeto prevê um novo estádio, avaliado em € 1,2 bilhão (R$ 7,5 bilhões), com capacidade para 71,5 mil torcedores, que deve ser inaugurado em 2031. Após a conclusão da obra, o atual San Siro, maior arena da Itália, com 75 mil lugares, será demolido. O plano também inclui a revitalização da região, hoje considerada densamente povoada e com forte potencial econômico.

A aprovação só foi possível devido à abstenção dos vereadores do Forza Italia, partido fundado por Silvio Berlusconi, ex-premiê e ex-dono do Milan. Já os partidos de extrema-direita Liga e Fratelli d’Italia votaram contra, assim como parte da base de esquerda que apoia o prefeito Giuseppe Sala, que articulou diretamente a venda com os dois clubes, ambos hoje controlados por fundos americanos.