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Portas destrancadas fazem parte da rotina em vilas japonesas marcadas pela confiança

Vila antiga japonesa. Foto: Reprodução/Japan Travel

Em algumas vilas do Japão, o hábito de manter portas e portões destrancados atravessa décadas e continua a chamar a atenção de visitantes e pesquisadores. A prática não está ligada a descuido, mas a uma combinação de baixo índice de criminalidade, forte senso comunitário e vigilância informal entre vizinhos.

Regiões como Shirakawa-go, na província de Gifu, e Gokayama, em Toyama, se destacam nesse contexto. Com vilarejos preservados desde o século XVII, essas comunidades mantêm um modo de vida próximo ao Japão feudal, onde a convivência coletiva sempre foi central para a organização social. Ali, a segurança não depende apenas de trancas, mas da presença constante e do reconhecimento mútuo entre moradores.

Nessas localidades, especialmente entre populações mais idosas, a rotina inclui observar o movimento da vila, cumprimentar vizinhos e compartilhar responsabilidades. Casos de furto são raros e, quando ocorrem, costumam ser tratados de forma comunitária antes de qualquer acionamento formal das autoridades.

Mesmo com o aumento do turismo e a curiosidade estrangeira sobre esse modelo de convivência, vilas como Shirakawa-go e Gokayama seguem preservando o costume. Em vez de portas fechadas, o que se mantém aberto é um sistema social baseado na confiança, na memória coletiva e na ideia de que segurança também se constrói em comunidade.