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Posição para dormir importa? Ciência diz quando ela pode ajudar

Pessoa dormindo em uma cama
Pessoa dormindo em uma cama. Foto: Reprodução

Não existe uma posição universalmente correta para dormir, mas algumas posturas podem ajudar ou piorar sintomas em casos específicos, como apneia obstrutiva do sono, refluxo, dor cervical e dor lombar. Nas redes sociais, publicações que associam determinadas posições à melhora da circulação “linfática” confundem o sistema linfático com o sistema glinfático, mecanismo cerebral ligado à remoção de resíduos metabólicos. Um estudo de 2015 no Journal of Neuroscience, feito com roedores anestesiados, observou maior eficiência glinfática na posição lateral, mas não avaliou pessoas dormindo nem a circulação linfática periférica. “Não existe uma posição universalmente correta. Depende da condição de cada paciente, do conforto e de como a pessoa se sente dormindo”, afirma a neurologista Maíra Honorato, especialista em medicina do sono do Einstein Hospital Israelita.

A posição de barriga para cima pode piorar a apneia em algumas pessoas porque favorece o estreitamento das vias aéreas durante o sono, com queda da língua para trás, ronco e pausas respiratórias. Uma pesquisa publicada em 2016 na Sleep and Biological Rhythms associou essa postura a piores indicadores respiratórios e menor saturação mínima de oxigênio em adultos sem diagnóstico aparente de apneia obstrutiva. No refluxo gastroesofágico, elevar a parte da cama onde fica a cabeça ou dormir do lado esquerdo pode reduzir o retorno do conteúdo do estômago ao esôfago; uma revisão com metanálise de 2023 apontou o lado esquerdo como a posição ligada a menor exposição do esôfago ao ácido. Para gestantes nos últimos meses, deitar de lado, especialmente sobre o esquerdo, pode diminuir a compressão da veia cava pelo útero, embora o conforto também pese na escolha.

Dores ao acordar também podem ter relação com a postura, mas não dependem só dela. A pneumologista Luciana Palombini, pesquisadora do Instituto do Sono, alerta que dormir de barriga para baixo força a cervical e aumenta a chance de desconforto no pescoço. Já o fisioterapeuta Ítalo Lemes, pesquisador e professor da graduação de Fisioterapia do Ensino Einstein, lembra que “estresse, atividade física, sedentarismo, questões emocionais” também influenciam a dor durante o sono. Entre os ajustes possíveis estão usar apoio sob os joelhos ao dormir de barriga para cima, colocar um travesseiro entre as pernas ao deitar de lado e escolher um travesseiro que mantenha o pescoço próximo da posição neutra. No colchão, conforto e adaptação individual importam mais do que uma tecnologia específica.