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“Posto, logo sou”: Influencers morrem em busca de likes e viralizações extremas

O fotógrafo Remi Lucidi, que morreu ao cair do 68º andar de um arranha-céu em Hong Kong. Foto: Reprodução

Um estudo publicado no Journal of Travel Medicine mostrou que 379 pessoas morreram em acidentes relacionados a selfies entre 2008 e 2021, a maioria com menos de 24 anos. As mortes, segundo pesquisadores, são reflexo da chamada “cultura do risco digital”, em que a busca por visibilidade e engajamento nas redes leva jovens a ultrapassar limites físicos.

Casos recentes exemplificam o fenômeno. Em setembro, um montanhista morreu na China ao tentar tirar uma selfie em uma encosta nevada. O francês Remi Lucidi, de 30 anos, também perdeu a vida em 2023 ao cair do 68º andar de um prédio em Hong Kong enquanto registrava imagens para as redes sociais.

Especialistas apontam que os algoritmos reforçam comportamentos de risco ao premiar conteúdos extremos. O antropólogo David Nemer, da Universidade da Virgínia, afirmou que “vivemos numa era em que a visibilidade virou valor”. Já o psiquiatra Arthur Danila, da USP, resumiu: “Primeiro eu posto, depois eu sou”.