Prédio de luxo em Nova York avaliado em R$ 13 bilhões enfrenta risco de colapso estrutural

O edifício 432 Park Avenue, conhecido como um dos arranha-céus mais luxuosos de Nova York, está sob risco de colapso estrutural, segundo especialistas ouvidos pelo The New York Times. A torre, que tem 426 metros de altura e 96 andares, apresenta rachaduras graves, infiltrações e falhas nos elevadores, de acordo com inspeções realizadas pelo Departamento de Edifícios da cidade.
Os 125 apartamentos da torre foram vendidos por mais de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,5 bilhões) desde sua inauguração em 2015. Entre os moradores, estão celebridades e bilionários, mas o glamour deu lugar a um cenário de caos: mais de 20 vazamentos, ruídos estruturais e inundações constantes têm motivado ações judiciais que somam US$ 165 milhões. Parte da fachada de concreto branco — material usado por estética, mas mais frágil — já apresenta descolamentos e fissuras.
De acordo com o engenheiro estrutural Steve Bongiorno, o prédio está sob “estresse maior do que o previsto”. Ele alertou que, sem reforma urgente — orçada em US$ 160 milhões (R$ 863 milhões) —, o edifício pode se tornar “inabitável” nos próximos anos. “As conexões dos canos vão se partir, e pedaços de concreto poderão cair da fachada. Nenhuma calçada vai proteger as pessoas se isso acontecer”, disse o especialista.
O projeto do 432 Park Avenue foi assinado pelo arquiteto uruguaio Rafael Viñoly e construído pela Macklowe Properties e pelo CIM Group, que negam os riscos apontados. Apesar das garantias oficiais, engenheiros independentes consideram inaceitável o nível de deterioração de um prédio com apenas dez anos. O caso reacendeu o debate sobre o uso de materiais estéticos em detrimento da segurança estrutural — uma falha que, no coração da “Billionaires’ Row”, pode custar bilhões de dólares e a credibilidade da engenharia nova-iorquina.
