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‘Reciclador de imóveis’ compra prédio abandonado e descobre ligação com o Theatro Municipal

Fachada de prédio amarelo histórico na Rua Roberto Simonsen, no Centro de São Paulo
Fachada do edifício histórico na Rua Roberto Simonsen, próximo ao Pateo do Collegio e à Praça da Sé. Foto: Reprodução

Um prédio amarelo na Rua Roberto Simonsen, 97, a poucos metros do Pateo do Collegio e da Praça da Sé, no Centro Histórico de São Paulo, foi identificado recentemente como projeto de Ramos de Azevedo. Construído em 1919 para receber a Policlínica de São Paulo e a Sociedade de Medicina e Cirurgia, o imóvel abrigou atendimento gratuito em oito especialidades, biblioteca, anfiteatro e salas de estudo antes da criação da Faculdade de Medicina da USP.

O desenvolvedor imobiliário Allan Ruiz comprou o edifício em 2025 sem conhecer sua autoria. A confirmação surgiu após uma pesquisa sobre inscrições nos tijolos e a consulta a plantas assinadas pelo arquiteto no Arquivo Histórico Municipal. Fechada em 1939 após dificuldades financeiras, a policlínica deixou o imóvel sem uso regular por décadas; o Conpresp tombou o prédio em 2015. Apesar de infiltrações, reboco perdido e vidraças quebradas, o local conserva pisos centenários, vitrais e a cabine do elevador.

Ele pretende realizar um retrofit parcial, com restauro dos elementos originais e manutenção das paredes de tijolos aparentes, sob o nome de “Ruínas do Ramos”. A estimativa inicial varia de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões. O plano prevê transformar o espaço em centro cultural, com exposições e locações audiovisuais. Antes das obras, o prédio deve receber visitas e eventos, incluindo a mostra “Apocalipse”, de Alex Flemming, com abertura prevista para 9 de agosto.