“Fingem ser formais”: prédios irregulares avançam em bairros de São Paulo

O desabamento de um prédio na Penha, na zona leste de São Paulo, que deixou seis mortos duas semanas antes, chamou atenção para a expansão de edifícios irregulares em bairros da capital. As construções, muitas próximas a estações de metrô, ocupam terrenos estreitos quase por completo e são comercializadas em um mercado quase formal, embora não cumpram todas as exigências urbanísticas e construtivas.
A professora de Arquitetura e Urbanismo da USP Isadora Guerreiro afirma que parte desses imóveis “finge ser formal”. Uma obra embargada da New Home, mesma construtora ligada ao edifício que caiu na Penha, tem cerca de 15 andares na Vila Matilde. Também houve casos recentes no Bixiga, na região central, além de ocorrências nas zonas leste e norte.
A Prefeitura de São Paulo informou ter aplicado 7.236 autuações por irregularidades em imóveis em 2026, entre intimações, interdições e embargos, com R$ 172,3 milhões em multas. Entre as infrações mais frequentes estão obras sem alvará, falta de documentação, ausência de certificado de conclusão e mudanças no projeto aprovado. Em outro caso, na Cachoeirinha, uma obra que desabou sobre casas em fevereiro de 2025 levou a denúncia contra o dono da construtora e o engenheiro responsável.
