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Presidenciáveis ‘acordam’ para poder da internet

A oito meses das eleições para presidente, partidos e pré-candidatos correm contra o tempo para ampliar sua atuação nas redes sociais, de olho em uma legião de eleitores cada vez mais influenciada pelo que vê e lê na internet.

Oficialmente, a campanha eleitoral na rede só começa no dia 6 de julho, mas legendas e candidatos já buscam criar laços com o eleitor que possam render frutos nas urnas, cientes do potencial das mídias como plataforma de discussão – que veio à tona, de forma mais evidente, durante os protestos de junho do ano passado.

Segundo dados do Nielsen IBOPE de dezembro de 2013, há hoje 58,2 milhões de brasileiros com acesso à internet em casa ou no local de trabalho. Deste total, 45 milhões estão conectados às redes sociais.

Este número pode ser maior se for levado em conta que o número total de pessoas com acesso à internet no país é de 108 milhões.

Os protestos que levaram milhões de pessoas às ruas no ano passado trouxeram à tona o poder crescente que estas ferramentas vêm exercendo na sociedade brasileira.

Pouco depois das eleições de 2010, Dilma abandonou o diálogo virtual com os cidadãos, revelando, na avaliação da consultora política Gil Castillo, a falta de sintonia entre a classe política e a sociedade.

Depois de ver seu índice de popularidade despencar 27 pontos como resultado dos protestos, Dilma correu atrás do tempo perdido e vem incrementando sistematicamente a sua atuação nas mídias socias desde setembro do ano passado.

Reativou seus perfis no Twitter – onde angaria mais de 2 milhões de seguidores – e no Facebook, que passou a contar com postagens diárias. Abriu contas no Instagram e no Vine e lançou o Participatório e o Gabinete Digital. As duas últimas iniciativas servem de termômetro das discussões nas redes sociais e tentam aproximar a presidente dos internautas.

Possíveis candidatos da oposição, como Aécio Neves e Eduardo Campos, coligado ao movimento Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, também investem nesse campo de ação.

A página de Eduardo Campos no Facebook, com mais de 288 mil seguidores, é citada como exemplo de interação entre político e eleitor. São raros os comentários postados por seguidores que ficam sem resposta da assessoria.

Já o mesmo não se observa nas páginas de Dilma (a página administrada pelo PT tem 221 mil seguidores) e Aécio (414 mil seguidores).

Mesmo com mais seguidores do que os adversários, o perfil de Aécio tem menos engajamento, que pode ser medido, entre outros indicadores, pelo número de usuários que estão “falando sobre ele”. Aécio também tem um perfil no Twitter, mas nunca tuitou.

Para Raquel Recuero, pesquisadora de mídias sociais da Universidade de Pelotas, as discussões que serão geradas nas redes sociais durante a campanha eleitoral podem sair do universo digital e influenciar o eleitorado que não tem acesso à internet.

“Os protestos mostraram que as discussões do Facebook vão parar dentro do ônibus, atingindo até quem não faz parte da rede”, afirma Recuero.

Ela acredita que, apesar de a campanha continuar a ter como principal frente os programas eleitorais gratuitos no rádio e na televisão, em 2014 as redes sociais farão ressonância imediata do que se passa na tela – e vão pautar os programas a seguir.

Saiba Mais: BBC