Presidente do Clube Militar diz que políticos “tripudiam” e que discurso de Temer sobre abuso de autoridade é “intimidatório”

Publicado em 21 setembro, 2017 8:25 am

 

O general Gilberto Rodrigues Pimentel, presidente do Clube Militar, publicou artigo no site da entidade criticando Temer:

“Toda vez que há ultrapasse dos limites da Constituição, ou dos limites da lei, verifica-se o abuso de autoridade”, repetiu ontem o presidente da República na cerimônia de posse da nova Procuradora Geral da República. Essa tem sido a expressão favorita e, exaustivamente, reproduzida por nove entre dez políticos brasileiros, dentre os investigados, denunciados, condenados, ou em vias de sê-lo, em geral pela prática do crime de corrupção e de outros correlatos.

Uma verdadeira tragédia, que assola o mundo político brasileiro, atenta contra nossos sonhos de marchar em direção ao futuro que merecemos e nos cobre de vergonha diante do mundo.

Não é mera coincidência que na mesa diretora composta para a cerimônia de posse da nova procuradora, apenas ela, a procuradora entrante, e a presidente do STF não tivessem contas a ajustar com a Lei. Os demais com assento ali, chefes dos poderes Executivo e Legislativo – Senado e Câmara dos Deputados, políticos pois, temem e muito o “abuso de autoridade”.

Todos nós sabemos que existe abuso por parte das autoridades do País, todos os dias e todas as horas, em todos os lugares e em todos os setores de atividade, mas sabemos, também, que se manifesta, sim, em relação ao cidadão comum, hoje, desamparado, desiludido e carente de tudo, não aos poderosos, muito menos aos políticos para desgraça nossa. Nesse caso, ao contrário, são eles quem abusam da autoridade que possuem, isso sim. Abusam e tripudiam do povo, da justiça e das leis que os garantem impunes.

Os exemplos estão aí à vista de uma sociedade estarrecida pelos sucessivos escândalos. Pelas malas milionárias de dinheiro público em quantidade nunca sabida ou imaginada, roubadas e circulando, literalmente, nas mãos sujas de bandidos a mando de políticos e governantes, quando não pelas deles próprios.

Assim, a presença e sobretudo as palavras do Presidente na posse da nova titular da PGR, cujas ações são caracterizadas basicamente pela autonomia institucional, transparência, ética e independência funcional para propor quaisquer tipos de ações penais públicas e cíveis contra quem quer que seja, soaram aos meus ouvidos, nas atuais circunstâncias, no mínimo, constrangedoras, mas numa avaliação mais estrita as vejo, também, como intimidatórias.