Presidente do TRF4 tem falado muito, mas até pouco tempo atrás ele recomendava discrição aos magistrados

O presidente do TRF4, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz mudou muito rápido sua visão sobre como juízes devem se comportar. “Juiz tem de falar em momentos fundamentais e lugares apropriados”, disse. Para quem disse isso, em entrevista logo depois que assumiu a presidência do Tribunal, estranho que ele fale a toda hora sobre a necessidade de julgar Lula e também de emitir juízo sobre a sentença de Sergio Moro. “Irretocável, irrepreensível”, disse sobre a decisão que é alvo de recurso na corte que ele preside. Veja a resposta que Thompson deu ao jornal Zero Hora sobre como deve ser o comportamento dos magistrados.
Temos juízes heróis de passeatas, julgamentos transmitidos ao vivo e ocupando espaços majoritários em telejornais. Enquanto isso, o TRF4 tem sido mais rigoroso e ninguém sabe os nomes do julgadores. Como o senhor vê essa espetacularização dos atos judiciais e exposição de alguns juízes?
Venho de uma família de 18 gerações de juízes. O perfil se alterou muito nos últimos tempos. Antes o juiz raramente escrevia um artigo de doutrina, porque amanhã ou depois seria chamado a julgar uma ação sobre aquela matéria e, em tese, já teria ideia pré-concebida. Caímos no extremo oposto. A magistratura tem uma liturgia. Não se deve comentar casos judiciais que estão sob julgamento. O senhor conhece algum nome de juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos? Lá eles se preservam tanto, têm uma atuação tão discreta que não vulgariza sua presença e não fala sobre tudo. Um juiz da Suprema Corte tem de falar em momentos fundamentais da nação e em lugares apropriados. Saímos de um extremo de muita discrição para uma superexposição. O tempo vai nos levar para o meio do caminho.
