Preso que passou em vestibular pelo Sisu foi condenado por estupro
Reportagem de Alexandre Aragão no BuzzFeed Brasil. Ela foi publicada depois deste texto do G1.
No fim de semana, esta reportagem do G1 sobre um detento que passou no vestibular viralizou na internet.
Mas a história é um pouco mais complicada.
Para início de conversa, o preso Pedro Henrique Monteiro Araújo, 34, não passou em primeiro lugar no vestibular de cinema da UFPA (Universidade Federal do Pará).
De acordo com o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Pedro teve a terceira maior nota dos cinco aprovados.
Apesar de aparentar ser branco, o detento concorreu na cota destinada a vestibulandos autodeclarados pretos, pardos e indígenas que estudaram em escolas públicas.
Pedro Henrique foi condenado a 38 anos de prisão por ter abusado de três meninos com idades entre 8 e 10 anos, quando chefiava um grupo de escoteiros.
Ele filmou e divulgou os atos na internet. Em depoimentos separados, as crianças confirmaram as acusações. O BuzzFeed News teve acesso à ação em segunda instância.
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No processo, um laudo pericial considerou que Pedro Henrique é semi-imputável — ou seja, não tem plena capacidade de avaliar as consequências de suas ações. O mesmo laudo também diz que há possibilidade de reincidência do condenado.
Esta foi a terceira vez em que Pedro Henrique passou no vestibular. “Ele tem muita vontade de cursar cinema”, disse a advogada Luana Miranda, que o defende, ao BuzzFeed News.
Segundo ela, Pedro Henrique teve o pedido para estudar negado nas outras vezes em que foi aprovado.
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Caso o juiz autorize, ele sairia do presídio apenas nos horários de aula.
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“A gente não pode simplesmente fixar que a pessoa é uma criminosa e negar-lhe os direitos. A questão da ressocialização é vital, e tanto o trabalho como o estudo são essenciais para que aconteça.”

