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Pressa e excesso de trabalho explicam mortes em obras da Copa no Brasil

As mortes ocorridas nas obras de estádios da Copa do Mundo de 2014 colocam em evidência as falhas de segurança nos canteiros de obra brasileiros.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, a pressa para cumprir prazos e as altas cargas horárias cumpridas por operários são hoje as maiores causas de acidentes no país.

Até agora, sete operários morreram em obras das arenas da Copa no país. Cinco deles foram vítimas de acidentes violentos – desde quedas ao desabamento de um guindaste no Itaquerão, em São Paulo.

Os outros dois foram vítimas de “mal súbito”, nomenclatura genérica dada por autoridades a doenças como infartos ou acidentes vasculares.

Na África do Sul, onde também ocorreram inúmeros atrasos de cronograma, a preparação dos estádios causou apenas duas vítimas fatais.

Segundo o professor João Roberto Boccato, especialista em segurança do trabalho da Unicamp (Universidade de Campinas), as construtoras estão mais preocupadas em cumprir os cronogramas de obras do que em cumprir a legislação preventiva.

“O não-cumprimento dos prazos envolve multas, que muitas vezes são bem maiores do que o custo dos acidentes. Falta em qualquer projeto no Brasil uma análise preliminar de riscos feita por profissionais da área de segurança”, afirma Boccato.

Um operário comum (pedreiro, encanador, carpinteiro, etc.) costuma ter registrado na carteira de trabalho um salário mensal na faixa de R$ 1,5 mil. Contudo, uma vez em atividade na obra, ele passa a receber por tarefa cumprida (empreitada) – o que pode elevar seus rendimentos a até R$ 7 mil por mês.

Isso significa trabalhar de 12 a 16 horas por dia e não ter o serviço “por fora” registrado para fins previdenciários ou para contar no 13º salário.

Alguns trabalhadores usam entorpecentes para aguentar as longas jornadas de trabalho – o que aumenta ainda mais o risco de acidentes. A droga mais comum nos canteiros de obras é o oxi, um derivado da cocaína preparado a partir da pasta base do entorpecente misturado a cal e querosene.

Saiba Mais: BBC Brasil