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Primeiro porco clonado para transplantes em humanos é sacrificado pela USP

Ernesto Goulart e o porco que foi clonado – Foto: Acervo do CEGH-CEL/USP

Pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplante da USP (XenoBR) realizaram, em 28 de julho, a eutanásia do primeiro porco clonado pelo grupo. O animal nasceu em 24 de março, em Piracicaba (SP), e fazia parte do projeto que pretende produzir suínos geneticamente modificados para fornecer órgãos para transplantes em humanos. Saudável e sem intercorrências da clonagem, ele chegou aos quatro meses e quatro dias com 84 quilos, ante 1,75 kg ao nascer. “O nascimento do primeiro porco clonado foi um marco que validou o esforço da equipe e provou que a técnica de clonagem desenvolvida do zero funcionava”, afirmou o pesquisador Ernesto Goulart. Com informações da Folha.

A eutanásia ocorreu após o animal atingir a maturação sexual, quando os órgãos já apresentam tamanho adequado para captação, e também foi antecipada pelos custos de manutenção. Os testes previam sobrevida de até sete meses. “Tudo envolve custos, precisamos manter uma equipe, pagar insumos, manter a infraestrutura”, disse Goulart. “Acredito que a gente acelerou um pouco [eutanásia], mas sem nenhum prejuízo aos dados principais da pesquisa nem à integridade e bem-estar do animal.” Mayana Zatz afirmou que integrantes da equipe deixaram o projeto após o fim de bolsas. A Fapesp diz que não há contingenciamento e mantém 32 bolsas, enquanto o Ministério da Saúde informou ter liberado R$ 6,15 milhões dos R$ 11,6 milhões aprovados para três projetos associados.

Considerado pelos pesquisadores o primeiro porco clonado da América Latina, o animal integra os estudos brasileiros sobre xenotransplantes. A próxima etapa é produzir clones geneticamente modificados para reduzir o risco de rejeição em humanos. “O próximo passo essencial é clonar embriões que já tenham passado pela edição genética”, explicou Goulart. Após a eutanásia, o corpo foi levado ao Museu de Zoologia da USP, onde será taxidermizado e deverá entrar em exposição até o fim de 2026. “Queremos desmistificar a ideia de que a ciência é ‘imediata’ e ilustrar que o processo científico é lento, complexo, cheio de tentativas e erros”, afirmou Isabel Landim, do museu.