Prisão de aliados arrasa plano de reeleição de Temer, mas ele pode dobrar aposta
De Daniela Lima no Painel da Folha de S.Paulo.
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A um só tempo, a prisão de dois dos amigos mais próximos de Michel Temer estraçalhou a tentativa do Planalto de criar um ambiente minimamente favorável a especulações sobre sua candidatura à reeleição e reacendeu o fantasma de nova denúncia criminal. Pior: o cerco se fechou no momento mais frágil da relação dele com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Arremessado ao corner, Temer pode se recolher ou dobrar a aposta. Quem o conhece fica com a segunda opção.
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Se a PGR oferecer outra queixa contra Temer, Maia (DEM-RJ) assumirá novamente o posto de árbitro do processo. Com uma queda do emedebista, o democrata, sucessor natural e pré-candidato à Presidência, poderia concorrer com a máquina do governo sob seu controle.
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Aliados do presidente tentam conter a animação do grupo de Maia com o discurso de que fortalecer o democrata não interessaria ao PSDB e a todos os partidos que têm candidato próprio ao Planalto. Ou seja, não seria tão fácil conseguir 342 votos para afastar Temer.
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Após a ação da PF, nesta quinta (29), o presidente da Câmara se recolheu. Disse que vai usar o feriado para ler. A obra que está na cabeceira dele é de autoria do ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis e tem título sugestivo: “Comportem-se como adultos”.
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