A prisão do traficante Chepa e a arte da DEA de superfaturar os narcos

Do G1
Ele é apontado como um dos três líderes do cartel mexicano de drogas Jalisco Nova Geração (CJNG), considerado o mais violento do país. E agora está preso no Brasil.
José González Valencia, identificado pelo procurador-geral da República como operador financeiro da organização, foi detido pela Polícia Federal em uma área residencial da região metropolitana de Fortaleza, no Ceará.
Ele portava uma identidade falsa, com o nome de Jaffet Arias Becerra, e estava de férias com a família.
A prisão foi efetuada com base em um pedido de extradição do governo dos Estados Unidos, que o acusa de tráfico de drogas.
“Chepa”, como é conhecido no México, também era, desde 2015, chefe de segurança de Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”, principal chefe do cartel.
De acordo com a Procuradoria, González Valencia organizou alguns ataques contra corporações policiais em Jalisco, no oeste do México.
E também liderou operações para conquistar o território deixado pelo cartel dos Cavaleiros Templários, em Michoacán.
Família de traficantes
González Valencia pertence a uma família que tem tradição no tráfico de drogas no México.
O patriarca, Armando Valencia Cornelio, “El Maradona”, fundou uma organização conhecida como cartel do Milênio, que operava principalmente em Michoacán e Guerrero.
O grupo enviava cocaína e maconha para os Estados Unidos, embora também tenha sido um dos primeiros a traficar drogas sintéticas.
O cartel foi praticamente extinto durante o governo do ex-presidente Vicente Fox (2000-2006), mas os filhos e irmãos do fundador permaneceram em atividade.
Um deles, Abigail González Valencia, se juntou ao cunhado, “El Mencho”, para criar um novo grupo, que colaborou com o cartel de Sinaloa até 2010.
A partir desse ano, começaram a disputar com os então aliados o controle do narcotráfico em Jalisco, um dos principais centros de operação financeira do Estado de Sinaloa.
Abigail foi preso em fevereiro de 2015 – e José González Valencia ocupou então o lugar do irmão na organização, que estava em plena expansão.
