Procrastinação: por que adiamos tarefas mesmo querendo fazê-las, segundo a psicologia

A procrastinação costuma ser tratada como falta de disciplina, mas pesquisas em psicologia indicam outra origem. O comportamento está mais ligado à forma como o cérebro reage ao desconforto, à incerteza e à ansiedade do que à preguiça ou má gestão do tempo. Pessoas adiam tarefas porque querem escapar de estados internos difíceis, mesmo quando se importam com o resultado. As informações são do The Conversation.
Estudos mostram que a procrastinação é um problema de regulação emocional. Pensamentos como medo de errar, sensação de sobrecarga ou dificuldade para começar ativam o sistema de ameaça do cérebro, enquanto distrações imediatas, como redes sociais, estimulam o sistema de recompensa. Esse desequilíbrio favorece a evitação, que traz alívio momentâneo, mas aumenta o estresse depois.
Um fator central nesse processo é a chamada flexibilidade cognitiva, a capacidade de ajustar estratégias e expectativas diante de novas informações. Quando essa habilidade está reduzida, o cérebro tende a se fixar na ideia de que a tarefa é ameaçadora ou difícil demais. Isso explica por que ansiedade, perfeccionismo e uso excessivo do celular tornam o adiamento mais frequente, sobretudo entre estudantes.
A boa notícia é que a procrastinação não é um traço fixo. Pesquisas indicam que pequenas ações, como dividir tarefas em etapas concretas, iniciar com movimentos mínimos e criar recompensas imediatas, ajudam o cérebro a sair do estado de bloqueio. Com prática, a flexibilidade cognitiva aumenta, tornando mais fácil começar atividades mesmo diante do desconforto.
