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Procurador que processa Globo por “recorde” recebeu R$ 970 mil em 2025

Supersalários do procurador em 2025 somam quase R$ 1 milhão; ele processou a Globo por pronúncia considerada errada da palavra “recorde”. Foto: Reprodução

O procurador da República Cléber Eustáquio Neves, que move ação contra a Rede Globo por suposta pronúncia incorreta da palavra “recorde”, recebeu R$ 970 mil em remuneração bruta em 2025, segundo dados do Ministério Público Federal (MPF). Desse total, R$ 321,4 mil foram pagos como verbas indenizatórias, conhecidas como penduricalhos. Em todos os meses do ano, os vencimentos superaram o teto constitucional de R$ 46,3 mil. As informações são do Metrópoles.

Apenas em dezembro, o valor bruto destinado ao procurador ultrapassou R$ 138,1 mil. A Constituição determina que nenhum servidor pode receber acima do salário de ministro do Supremo Tribunal Federal, mas exclui do limite parcelas indenizatórias previstas em lei. Na prática, auxílios e benefícios acabam elevando os ganhos mensais.

O tema dos supersalários está em debate no Judiciário após decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou a revisão de penduricalhos nos Três Poderes. Para ele, somente ressarcimentos de despesas extraordinárias deveriam ficar fora do teto. Em nota, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público Federal afirmou que a discussão “adquire uma repercussão social e institucional de grande magnitude”.

Paralelamente, o procurador ingressou com ação civil pública em Uberlândia (MG) pedindo R$ 10 milhões por danos morais coletivos contra a Globo. Ele sustenta haver “lesão ao patrimônio cultural imaterial da Língua Portuguesa” pela pronúncia de “recorde” como “RÉcorde”, e não “reCORde”. Segundo escreveu, “o uso reiterado do erro de pronúncia por uma emissora que detém a maior audiência do país exerce um efeito multiplicador nocivo”.