Procurador reclama de Porsche de juiz e diz estar em ‘classe social inferior’

Mensagens do grupo de WhatsApp “Equiparação Já”, formado por membros do Ministério Público de São Paulo (MPSP), revelam críticas sobre a diferença de salários em relação aos desembargadores do TJSP. O procurador Márcio Sergio Christino ironizou a ostentação de magistrados e desabafou: “Vocês já andaram de Porsche hoje?”. Ele relatou que desembargadores discutiam a compra de carros de luxo e afirmou: “Agora estamos em uma classe social inferior”. A procuradora Valéria Maiolini também comentou que juízes chegam a acumular R$ 1 milhão em veículos de colecionador, enquanto procuradores “brigam para receber o mínimo”.
As conversas, reveladas pelo Metrópoles, mostram que o grupo defende equiparação salarial e uso de penduricalhos, benefícios extras na remuneração. Christino chegou a ironizar que os vencimentos estavam mais próximos aos do “magistério” do que da magistratura. Questionado, ele inicialmente negou as mensagens, mas depois admitiu em novos textos que houve vazamento: “O vazador está aqui e agora vigiando quem fala criticamente do PGJ”. O procurador atribuiu a divulgação à disputa eleitoral no Conselho Superior do Ministério Público, do qual é candidato de oposição.
O administrador do grupo, procurador Luiz Faggioni, minimizou as declarações, dizendo que os comentários sobre carros eram “ironia” e parte de uma campanha sindical por melhores salários. “É um grupo sindical, que quer ganhar aquilo que a magistratura ganha. Parece que ‘ai meu Deus, os caras tão querendo andar de Porsche’… Não é isso”, afirmou. As eleições internas estão marcadas para 6 de dezembro, e Christino disputa contra aliados do atual procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
