Produtora do filme de Bolsonaro pode levar multa de até R$ 100 mil

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu um procedimento para apurar possíveis irregularidades relacionadas à produção de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação envolve a Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme, que pode ser multada em até R$ 100 mil por não ter comunicado oficialmente à agência as filmagens realizadas no Brasil nem apresentado a documentação exigida, segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo.
A Ancine apontou que a apuração busca esclarecer qual foi o papel efetivo da Go Up na realização da obra. A agência quer determinar se a empresa atuou como produtora principal do projeto ou apenas prestou serviços a uma companhia estrangeira responsável pela produção.
As normas da Ancine determinam que filmagens de produções internacionais em território brasileiro sejam conduzidas por empresas registradas na agência, com apresentação prévia de documentos como contratos, plano de filmagem e identificação de profissionais estrangeiros envolvidos. De acordo com o órgão, esses documentos não foram entregues, apesar da ampla divulgação das gravações realizadas em São Paulo.
A Go Up também não respondeu a ofícios enviados pela Superintendência de Fiscalização da Ancine em fevereiro e março deste ano. Nos documentos, a agência solicitava que a produtora “comprovasse a comunicação à Ancine da produção da obra estrangeira Dark Horse” e apontava que a exigência constitui “uma obrigação” prevista em norma em vigor desde 2008.

Os ofícios ainda alertavam que, caso a situação não fosse regularizada, a empresa poderia ser autuada e sujeita a multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil. A produtora é ligada à jornalista Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil, entidade citada em investigações relacionadas ao repasse de recursos públicos para produções audiovisuais.
O caso ganhou nova dimensão após ser revelada a participação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no financiamento do projeto. Flávio Bolsonaro (PL) admitiu a captação de R$ 61 milhões destinados ao filme por meio de uma estrutura financeira ligada a pessoas próximas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, sem detalhar os motivos da intermediação.
Divulgado nesta semana, o trailer de “Dark Horse” mostra cenas filmadas no Brasil, diálogos em inglês e elenco majoritariamente estrangeiro liderado pelo ator Jim Caviezel, intérprete de Bolsonaro na produção. Para a Ancine, a presença da marca da Go Up nos créditos iniciais pode indicar que a obra se enquadra nas regras aplicáveis a produções estrangeiras realizadas no país.
A agência informou que divulgará o resultado da investigação e adotará as medidas previstas em lei caso sejam identificadas irregularidades.
