Professor chama especialista em segurança que criticou intervenção na GloboNews de “agressiva” e “feia”
A excelente entrevista à GloboNews da professora da UFF Jacqueline Muniz, especialista em segurança, com críticas à intervenção no Rio, deixou um colega enlouquecido.
Carlos Otávio Fiúza, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, ENSP, da Fiocruz, chamou-a de “agressiva e muito feia” e disse que Jaqueline “merece ajuda de psiquiatra”.
A reação estúpida ensejou uma carta aberta do Fórum dos Estudantes da ENSP, escreveu uma carta aberta repudiando a postura “intolerante e machista” de Fiúza. Ei-la:
O Fórum de Estudantes da ENSP vem demonstrar profunda indignação diante dos recentes comentários publicados em rede social pelo professor Carlos Otávio Fiúza, membro desta instituição, em resposta à entrevista concedida pela professora Jacqueline Muniz ao Globonews. É importante lembrar que a ENSP tem uma história de lutas pelo avanço do diálogo entre ciência, movimentos sociais e população em geral, de modo que os referidos comentários não são condizentes com a postura esperada de docentes da Escola.
Na situação caótica em que o Rio de Janeiro se encontra, e, na verdade, em qualquer outro cenário, nossa opinião é a de que posicionamentos intolerantes e machistas não agregam ao debate e não contribuem para a construção de propostas e alternativas. Contrariando a luta por respeito e local de fala das mulheres na ciência, as declarações reforçam estereótipos deletérios e discriminatórios contra a pesquisadora, em especial, e contra as mulheres como grupo. Desqualificar o discurso de uma mulher julgando sua aparência e a classificando como “agressiva” e que “merece ajuda de psiquiatra” são atitudes arcaicas e preconceituosas que vão contra toda a ideologia de inclusão social existente na Escola e que o Fórum de Estudantes apoia.
A professora Jacqueline Muniz mostrou domínio sobre seus argumentos e precisou ser incisiva diante da insistência do governo em apelar por medidas nada resolutivas. A saúde pública e a sociedade brasileira, de modo geral, precisam de uma ciência implicada na realidade social e comprometida com a população. Cabe ressaltar que, com sua fala coloquial e postura despojada, a professora Jacqueline buscou estabelecer diálogo com todas as camadas sociais. Por outro lado, uma ciência isolada, elitista e, portanto, alheia ao que ocorre fora dos muros de seus “castelos”, pouco ou nada contribui para o desenvolvimento social.
Como futuros pesquisadores e pesquisadoras, e como pessoas que repudiam qualquer tipo de fala discriminatória, nós, do Fórum de Estudantes da ENSP, não poderíamos nos calar diante de um discurso tão desrespeitoso partindo de um de nossos docentes. Repudiamos a atitude do professor Carlos Otávio Fiúza, e demonstramos nosso apoio à professora Jacqueline Muniz e a todas as mulheres que têm suas falas desqualificadas por pessoas intolerantes.
Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2018.
Fórum de Estudantes da ENSP

