Professor usa comando oculto para identificar alunos que recorreram à IA

Um professor dos Estados Unidos inseriu um comando invisível, em fonte branca, em uma prova on-line sobre a Revolução Industrial para identificar possíveis usos indevidos de inteligência artificial. A instrução pedia que a palavra “Madagascar” entrasse na resposta, sem relação com o tema. O termo apareceu em textos entregues por 32 dos 35 alunos, o que indicou que eles enviaram o arquivo a uma ferramenta de IA sem revisar o resultado.
Para além desse tipo de armadilha, educadores apontam que a comparação com trabalhos anteriores ajuda a localizar mudanças abruptas de vocabulário, argumentação e complexidade textual. Luis Octávio Rogens, professor do Colégio Presbiteriano Mackenzie, chama esses padrões de “caligrafia intelectual”. Ele afirma que uma conversa breve sobre os argumentos apresentados também permite verificar se o estudante domina o conteúdo que entregou.
Softwares que prometem detectar textos gerados por IA podem apontar indícios, mas não servem como prova isolada, alerta Geane Alzamora, professora da UFMG. Especialistas defendem avaliações que acompanhem o processo de aprendizagem, com atividades escritas à mão, explicações orais e projetos. Para Rogens, a ferramenta deve “ampliar o pensamento, não substituir o processo de aprendizagem”.
