Professor é espancado sob gritos homofóbicos no metrô e tem perfuração no tímpano

O professor Ricardo Akira Matsufuji, de 29 anos, afirmou que sofreu uma agressão homofóbica na plataforma de uma estação da Linha 5-Lilás, na Zona Sul de São Paulo, no sábado (11), enquanto seguia para o trabalho. Ele teve cortes e hematomas no rosto e na cabeça, perfuração no tímpano e uma fratura.
Ricardo contou que estava em pé no vagão, lendo no celular o material de sua aula, quando sentiu um chute na perna por volta de 7h40. Ao desembarcar, disse que um passageiro o empurrou para o chão e passou a agredi-lo com socos, além de bater sua cabeça contra o piso e jogá-lo contra a parede da estação. Segundo o professor, o homem gritava ofensas homofóbicas e o acusava de tê-lo filmado. “Eu gritei por socorro, mas ninguém de fato ajudou.”
Ele conseguiu escapar em direção à escada rolante e recebeu ajuda de pessoas que, segundo seu relato, também ouviram as falas homofóbicas. Ricardo afirmou que seguranças da Motiva, concessionária da linha, apareceram depois do fim das agressões e levaram vítima e agressor à UPA Vila Mariana no mesmo veículo. No 27º Distrito Policial, disse que precisou insistir para que a palavra “homofobia” constasse no registro e que a ocorrência o classificou como “vítima/autor”, porque a mão do agressor ficou ferida.
A Motiva lamentou o episódio e repudiou “qualquer ato de violência, discriminação ou intolerância”. A concessionária declarou que registrou uma ocorrência de desentendimento entre passageiros, prestou primeiros socorros e encaminhou os envolvidos à UPA e ao distrito policial. A Secretaria da Segurança Pública foi questionada sobre a classificação do professor como autor e sobre o motivo de o caso não ter sido registrado como homofobia, mas não respondeu até a última atualização.
Ver essa foto no Instagram
