Professor leva filho de 10 anos a campeonato de “farmar aura” e explica fenômeno da nova geração

Depois de o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), proibir a realização do campeonato de “Farmar Aura” no Parque das Águas, o evento reuniu dezenas de participantes nesta sexta-feira (24), no estacionamento do Restaurante Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Entre eles estavam Abner Benevides dos Santos, de 10 anos, e o pai, Oseias dos Santos, professor de Geoprocessamento do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).
Abner disse que entrou na competição para conquistar “mais aura”. “Eu vim aqui porque vou conseguir o prêmio e ganhar muita aura. Aura é tipo respeito. Quando a pessoa é muito forte, ela ganha respeito”, afirmou. Oseias contou que acompanhou o filho para entender melhor o universo da nova geração e disse que a brincadeira vai além dos memes. “Muitas pessoas não compreendem o que é aura, mas ela representa alegria, esse novo estilo de vida. Talvez seja uma forma da juventude querer falar, uma forma dessa nova geração se expressar diante da realidade imposta pela modernidade”, declarou.
O verbo “farmar” vem dos jogos eletrônicos, como Minecraft, World of Warcraft e Fortnite, nos quais significa cumprir tarefas repetidas para acumular recursos, pontos ou experiência. Jovens que foram ao evento para apoiar a iniciativa também defenderam a ocupação de espaços públicos. “Farmar aura, para mim, é carisma. É sua presença de palco, sua capacidade de encantar as pessoas”, disse Yasmim Gabrielle dos Santos, de 19 anos. Daniel Ronny Lima Moura, de 23, criticou a reação ao campeonato: “Isso aqui não faz mal para ninguém. É basicamente um encontro. A gente entende que existem regras, mas não precisava de todo esse burburinho. É um espaço público e a juventude também tem direito de ocupá-lo”.
