Professor que criou disciplina sobre o golpe é atacado na rede social e admite: “‘essa gente de bem’ me assusta”

Só ontem localizei, nas catacumbas do messenger, um último poço de mensagens de pessoas que não estão entre meus contatos – aliás, peço desculpas a todos a quem não respondi, em todos esses anos. Muitas mensagens, claro, dos últimos dias, relacionadas à disciplina aqui da UnB.
Em geral, elas expressavam solidariedade, mas uma pequena minoria – umas vinte ou trinta, talvez – vinha de pessoas que se deram ao trabalho de buscar meu perfil para me xingar ou me ameaçar. Fui de uma em uma para bloquear e notei uma regularidade. As ameaças de violência física partem de fakes. Já as ofensas mais grosseiras e vulgares partem de bons pais de família, que posam para as fotos ao lado de esposa, filhos e cachorro, ou de meigas avozinhas, que dividem sua linha do tempo entre imagens de santas e vídeos pregando o extermínio de comunistas, gays e “abortistas”.
Confesso: a “gente de bem” me assusta.
