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Programa Mais Médicos atende a menos de 3% da demanda no Brasil

Dois meses depois de ser criado, o Programa Mais Médicos ainda não conseguiu atingir a meta de levar profissionais à população das cidades do interior e das regiões de periferia, que não contam com suficiente oferta de serviços.

A segunda fase de inscrições, concluiu-se nesta sexta-feira (13/09) com 1.414 adesões, mas apenas 400, o equivalente a 28,3%, foram confirmadas.

Esses números cobrem 2,4% da demanda total apresentada pelos municípios, que solicitaram a abertura de 16.625 vagas. Os médicos deverão ser distribuídos entre 217 municípios e dez distritos de saúde indígena. Os estados com mais médicos inscritos na segunda fase são Bahia, com 35; Ceará, com 41; e Goiás, com 48.

Na primeira fase, os médicos inscritos tiveram até a última quinta-feira para se apresentar aos postos de trabalho. Segundo dados preliminares divulgados pelo Ministério da Saúde, apenas 47% dos brasileiros inscritos compareceram.

A primeira fase também permitiu a inscrição de 282 profissionais diplomados no exterior, assim como a vinda dos 400 cubanos, trazidos ao país por um convênio entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Depois de três semanas de cursos em oito capitais e realização de provas, os estrangeiros estão a caminho dos locais de trabalho e devem começar a atender pacientes no próximo dia 23 de setembro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que, com a não adesão de brasileiros, as vagas continuarão a ser abertas aos estrangeiros. “A prioridade do Ministério da Saúde é a contratação de médicos brasileiros, mas não podemos deixar a população à espera de atendimento”, afirmou.

Durante evento em Uberlândia na última sexta-feira, a presidenta Dilma Rousseff voltou a defender a contratação de médicos estrangeiros e argumentou que o percentual de 1,78% de médicos com diplomas estrangeiros que exercem a profissão atualmente no Brasil está abaixo da média adotada em outros países.

“Olha a discrepância. Nos países ricos, eles vão e importam médicos, e nós, que precisamos de médicos, que somos um país de dimensão continental, que não temos médicos na periferia das grandes cidades, no interior do Brasil e nas regiões do Norte, da Amazônia, nem do Nordeste, nós não podemos importar. O que é isso?”

Saiba Mais: DW