Promotor diz que ex-delegado foi avisado três vezes sobre ameaças: “Jurado pelo PCC”

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, referência no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou que alertou o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, ao menos três vezes de que ele estava jurado de morte pela facção. Fontes foi executado nesta segunda-feira (15) em Praia Grande, no litoral paulista.
Para Gakiya, o atentado não descarta envolvimento direto do PCC e pode ser comparado a outros episódios classificados como de “natureza terrorista”. Segundo o promotor, há indícios de ligação do crime com a facção, embora ainda não haja provas conclusivas.
Ele destacou que o suspeito identificado tem passagem pelo sistema prisional e vínculos com o PCC, mas frisou que outras organizações criminosas também não podem ser descartadas. “Foi ação de profissionais, assassinos treinados que agiram com frieza e premeditação”, disse.
Gakiya lembrou que Ruy Ferraz foi um dos responsáveis pela prisão de lideranças do PCC em 2006, o que teria motivado ameaças constantes. O promotor também relatou que, em 2010, um plano para matar o delegado chegou a ser frustrado pela polícia. Para ele, o assassinato de Ruy expõe a vulnerabilidade de autoridades que, após a aposentadoria, perdem o direito à escolta e ficam desprotegidas diante de ordens antigas de execução.
