De Hadžiahmetović a Ndmane: como pronunciar os nomes mais difíceis da Copa

Pronunciar corretamente todos os nomes de jogadores da Copa pode virar um desafio para narradores, comentaristas e torcedores. Sobrenomes como Muharemović, Hadžikadunić, Gvardiol e Sebelebele reúnem sons e grafias pouco familiares para falantes de português, especialmente em seleções de países como Bósnia Herzegovina, Croácia, Marrocos e África do Sul.
O linguista Gueorgui Hristovsky, diretor do Centro de Línguas e Culturas Eslavas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, afirma que a dificuldade não se resume ao desconhecimento do idioma. “Não se trata apenas de desconhecer a língua, mas de não conhecer a correspondência e pronúncia, que são muito específicas de cada idioma”, analisa. Segundo ele, os nomes eslavos costumam causar mais problemas porque usam a base do alfabeto latino, mas seguem regras próprias de leitura e incluem caracteres especiais.
Nos sobrenomes bósnios, por exemplo, a sequência “dž” corresponde ao som de “dj” no português do Brasil, como em “dia” ou “Diana”. Já a terminação “ić” segue uma pronúncia próxima de “itch”, embora brasileiros tendam a ler como “ic”. A extensão de alguns sobrenomes, muitas vezes formados por composições morfológicas, também aumenta a dificuldade na hora da narração.
Em nomes de origem africana, a principal barreira aparece na junção de consoantes, como em Mbappé, Mbatha e Ndamane. A linguista Margarida Peter, especialista em linguística africana e professora aposentada da USP, explica que combinações como “mb” e “nd” não são comuns em português. Por isso, falantes brasileiros costumam inserir uma vogal de apoio antes da sílaba, aproximando a pronúncia de formas como “IMbappé”. Para os especialistas, a melhor saída é buscar familiaridade com os sons da língua de origem e, quando possível, consultar transliterações, que aproximam a leitura da pronúncia real.
