Psiquiatra analisa a polêmica da performance no MAM
Do Estadão:
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“O tema é delicado, porque toca um dos medos atuais da sociedade, que é o abuso, a erotização infantil, a pedofilia”, analisa Daniel Martins de Barros, psiquiatra do Hospital das Clínicas e blogueiro do Estado. “Numa cena em que possa haver o risco disso, as pessoas já reagem com uma preocupação compreensível”, acrescenta.
De acordo com Barros, no caso específico do MAM, a obra de arte não contém em si erotismo, mas, por outro lado, não é esperado que uma criança esteja em um recinto com um homem nu. “A criança nem sempre tem a maturidade do adulto para diferenciar uma obra de arte de um corpo”, pondera o especialista. “Os pais é que têm que saber junto com a criança o que ela pode e o que não pode ver”, completa.
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(…)“Como psiquiatra, não conheço evidências científicas que dizem que uma criança ver um sujeito nesse contexto vai deixar ela mais erotizada”, explica. Barros diz, ainda, que isso vale também para novelas, filmes e outras mídias. “Existem cenas sem nudez que podem ser mais eróticas para uma criança do que um homem pelado mexendo em um origami”, afirma ele.
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Para Barros, porém, não há base para dizer que houve pedofilia, como muitas das denúncias afirmam. “Pedofilia é o desejo do adulto pela criança. Do ponto de vista jurídico, é o abuso; do ponto de vista médico, independe de haver abuso ou não. Isso não estava posto naquela situação”, conclui o psiquiatra.
