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Quais são as profissões que mais afastam trabalhadores por saúde mental

Homem com dor de cabeça no trabalho. Foto: reprodução

Motorista de ônibus, gerente de banco, escriturário de banco, técnico de enfermagem e vigilante são as categorias com maior número de afastamentos por saúde mental reconhecidos como doença ocupacional. Os dados do INSS, compilados pela plataforma Smartlab entre 2012 e 2024, revelam um crescimento de 66% nos benefícios por transtornos mentais de 2023 para 2024, saltando de 283 mil para 471 mil casos.

Especialistas apontam que o país vive uma “era epidemiológica” marcada por sofrimento psíquico no trabalho. “Isso está baseado na dificuldade de atingir metas, na ausência de reconhecimento pelo trabalho, na baixa autoestima”, analisou Paulo Rogério Albuquerque, doutor em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília. O avanço da tecnologia e a pressão por produtividade são apontados como fatores centrais.

No entanto, reconhecer o vínculo do transtorno mental com o trabalho ainda é um grande desafio. “O transtorno mental relacionado ao trabalho enfrenta grande dificuldade para ser reconhecido, tanto pela empresa quanto pela Previdência Social”, afirma a médica Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro. Entre os motoristas de ônibus, por exemplo, oito a cada dez afastamentos por saúde mental não foram classificados como doença ocupacional.

Os gerentes de banco lideram o percentual de benefícios reconhecidos como decorrentes do trabalho (37,76%). “Isso revela uma epidemia silenciosa, causada por um ambiente de trabalho adoecedor, que mantém metas abusivas para aumentar os lucros bilionários dos bancos”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, ao Uol. Em contraste, apenas 8,17% dos afastamentos de técnicos de enfermagem foram enquadrados como doença ocupacional.