Radiação extrema e raios cósmicos: Astronautas correm riscos em viagem à Lua: entenda

A missão Artemis II levou astronautas para além do campo magnético da Terra, expondo a tripulação a três fontes principais de radiação durante os dez dias de viagem ao redor da Lua: raios cósmicos galácticos, vindos de fora do sistema solar; os cinturões de Van Allen, regiões de partículas carregadas ao redor do planeta; e partículas energéticas solares, geradas por erupções do Sol e capazes de atingir velocidades próximas à da luz. A exposição prevista dessas duas primeiras fontes equivale a cerca de um mês na Estação Espacial Internacional, cerca de 5% do limite de carreira de um astronauta, podendo aumentar em caso de tempestades solares. Horas antes do lançamento, em 1º de abril, foi registrada uma ejeção de massa coronal, fenômeno que libera uma nuvem de plasma com partículas capazes de atravessar materiais e afetar tecidos biológicos.
Para monitorar esses riscos, a NASA e a NOAA acompanham a atividade solar em tempo real com uma rede de satélites distribuídos pelo sistema solar. Um dos recursos utilizados é o rover Perseverance, em Marte, que observa regiões do Sol não visíveis da Terra e identifica manchas solares com até duas semanas de antecedência. Dentro da nave Orion, seis sensores medem os níveis de radiação em diferentes pontos da cabine, enquanto cada astronauta carrega um dosímetro individual. Caso os níveis atinjam limites de alerta, equipes em solo intensificam o monitoramento e podem orientar medidas adicionais de proteção.
Entre os protocolos previstos, está a reorganização da cabine para criar um abrigo interno, com equipamentos posicionados nas áreas de maior exposição para aumentar a barreira física contra partículas energéticas. Esse procedimento será testado durante a missão. A nave também possui blindagem mais avançada em relação às missões Apollo, quando, em 1972, uma tempestade solar de grande intensidade ocorreu entre duas viagens à Lua. A missão Artemis II segue com manobras de retorno.
