Prédio abandonado no centro de SP revela projeto de Ramos de Azevedo

O desenvolvedor imobiliário Allan Ruiz comprou, em outubro de 2025, um palacete abandonado no centro histórico de São Paulo sem saber que o imóvel havia sido projetado por Ramos de Azevedo. A confirmação veio após uma busca por documentos e pesquisas sobre os tijolos da construção de 1919, localizada na Rua Roberto Simonsen, perto da Praça da Sé.
A historiadora e arqueóloga Angélica Moreira da Silva identificou o casarão como antiga sede da Policlínica e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, que contratou o escritório do arquiteto. Ruiz consultou o Arquivo Municipal na semana seguinte e encontrou um documento com a assinatura de Ramos de Azevedo. O prédio funcionou como espaço médico até 1939 e passou à Caixa Econômica Federal por dívidas, permanecendo quase vazio por cerca de 85 anos.
O imóvel, batizado de Ruínas do Ramos, integra o Complexo Palacetes da Sé e está tombado pelo Conpresp desde 2015. Ruiz desistiu do plano inicial de retrofit residencial e pretende criar um centro cultural, com atividades gastronômicas, exposições, residência artística e oficinas. O restauro deve preservar a fachada, a volumetria e parte da aparência de ruína; uma estimativa inicial aponta custo de R$ 10 milhões, sem previsão para o início das obras.
