Receita autuou cerca de mil esportistas por sonegação de impostos, diz reportagem
Reportagem de Cesar Sacheto no R7, portal da Record.
Ao menos mil jogadores foram autuados pela Receita Federal brasileira por sonegação de impostos nos últimos cinco anos. A estimativa é de advogados que atuam ou estudam o direito tributário, mais especificamente as relações entre atletas, técnicos e clubes de futebol.
As investigações do Fisco apontam irregularidades na forma de pagamento dos salários de alguns esportistas, especialmente aqueles contratados pelas principais equipes do País. Parte dos vencimentos é depositada como salário, mas outro tanto é repassado a título de direitos de imagem.
Tal prática é considerada fraudulenta pelas autoridades brasileiras, pois reduz a carga de impostos devida pelos clubes – valores como INSS, FGTS, férias e 13.º salário – e pelos jogadores, que se enquadram em uma sistemática de apuração do imposto de renda chamada “lucro presumido”.
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Mas a grande fonte de autuações é mesmo a abertura de empresas por atletas e treinadores, prática considerada irregular pelas autoridades brasileiras.
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Há casos famosos, que estão em andamento na esfera administrativa. O mais conhecido envolve Neymar, astro do PSG e da seleção brasileira.
O jogador teve R$ 192,7 milhões — valores corrigidos — em bens bloqueados pela Justiça pelo não pagamento de impostos. A Receita acusa a família de Neymar de sonegação entre 2011 e 2013, período em que o craque defendia o Santos e foi negociado com o Barcelona.
Outros nomes conhecidos do esporte também foram autuados pelo Fisco pela utilização de empresas para gerenciar contratos de publicidade e direitos de imagem. É o caso do atacante Alexandre Pato, do Tianjin Quanjian-CHN, e do técnico Felipão, que deixou o Guangzhou Evergrande-CHN no fim da temporada passada.
As atenções da Receita Federal não estão restritas ao futebol. Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros e ex-líder do ranking mundial do tênis, também enfrenta problema semelhante.
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