Reinaldo Azevedo: se ouvirem que mudança em segunda instância é manobra pra ajudar Lula, é fake news
Do blog de Reinaldão na RedeTV.
Demorou um tantinho, mas parte considerável da imprensa profissional resolveu ao menos se ater às regras do jogo na cobertura da votação das ADCs (Ações Declaratórias de Constitucionalidade) que tratam da prisão depois da condenação em segunda instância. Sim, a votação acabará tendo interferência no destino imediato de Luiz Inácio Lula da Silva, mas a ele precedem. Um tribunal constitucional não pode ser reduzido a dimensão de um órgão cujo fito é proteger ou punir um homem. O que chamo “ater-se às regras do jogo”? Fugir do berreiro promovido por pistoleiros, pistoleiras das redes sociais e do subjornalismo. Sim, há ainda uma fatia considerável da imprensa profissional que está proibida de dar ao tema o tratamento segundo o estabelecido pelos rigores da lei. Quando a linha editorial é mais importante dos que os fatos, seja para criar deuses, seja para criar demônios, o jornalismo cede ao proselitismo.
(…)
Quando vocês lerem e ouvirem por aí que se trataria de uma manobra para ajudar Lula, saibam: é “fake news”, é opinionismo pautado por ideologia ou por interesse. Como lembram os dois ministros, trata-se de matéria urgente porque, não havendo uma decisão de mérito do tribunal, cada ministro está virando literalmente uma sentença sobre questão que está na Constituição (Inciso LVII do Artigo 5º) e sobre a qual há aquela votação de 2016, que não obriga ninguém a nada.
Assim, meus caros, tem-se o pior dos mundos, que é o da loteria: quem der sorte e tiver como relator de seu habeas corpus um ministro contrário à execução provisória da pena, bem, essa pessoa sabe que terá mais chances de ter ao menos retardada a sua prisão; quem não der e cair na mão de um magistrado favorável, paciência. Ora, esse é o caminho da bagunça. E o que vai mesmo na Constituição: “Ninguém será considerado culpado até o a trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
É um despropósito que o tribunal constitucional do país esteja sujeito a essas injunções. Sim, como constata um editorial do jornal “O Globo”, Cármen Lúcia está submetida a pressões. Como a exercida, por exemplo, por “O Globo”. E fica aqui o desafio para que o jornal evidencie que a votação do ARE de 2016 subordina juízes e tribunais à maioria, então, formada. Não será aceito — e não o será não só em razão da eventual irrelevância do desafiante. É que nem mesmo as Organizações Globo, que podem tanto, conseguem provar a quadratura do círculo. Até agora, há teoria alternativa apenas para o encontro das paralelas…
(…)
Só gente mentirosa, sem vergonha na cara mesmo, tenta subordinar esse debate a Lula. Ele estaria dado de qualquer modo. De resto, Cármen já não consegue esconder nem de si mesma que, não fosse o “fator Lula” (ou tivesse ela a certeza de que o resultado seria do seu gosto), e a questão já teria ido a voto.
(…)

