Relator do Marco Civil da Internet afirma que teles acabarão com neutralidade por lucros
A revista Carta Capital entrevistou o deputado Alessandro Molon (Rede), relator do projeto pioneiro de Marco Civil da Internet no Brasil, realizado com consulta pública de diferentes entidades sociais. Molon acredita que as empresas de telecomunicações brasileiras vão pressionar a Anatel e outras entidades para alterar a noção de “neutralidade da rede” defendida no Marco Civil.
O Brasil é afetado pela queda da neutralidade de rede nos Estados Unidos, decretada pela FCC, o órgão regulador do setor de telecomunicações deles. A medida pode tornar a internet mais cara e precária a nível global, permitindo que operadoras cobrem mais tarifas de quem consome vídeos, um exemplo de tráfego de dados mais intenso.
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“Lamentavelmente, acredito que as empresas de telecomunicação vão tentar acabar com a neutralidade aqui para aumentar seus lucros, ainda que isso signifique um enorme prejuízo para o usuário”, afirma o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ), que foi relator do projeto de lei que estabeleceu o Marco Civil da Internet. Para o parlamentar, a decisão norte-americana é um grande retrocesso “na garantia de uma rede livre, aberta e democrática”.
“A perda da neutralidade da rede traz graves prejuízos para o livre acesso à informação, para a liberdade de expressão e para a democratização da mídia. Portanto a decisão é muito ruim”, lamenta.
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Para Alessandro Molon, portanto, é preciso estar atento para as possíveis consequências de uma mudança do tipo no Brasil.
“Precisamos prestar atenção na questão da neutralidade da rede. Não fazer isso significa nos prejudicarmos gravemente, a ponto de perdermos a Internet como a conhecemos. Sem a neutralidade, ela se tornará mais cara e pior”.
