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Reprovada na USP, manchete no Paraná: jornal de Curitiba cobriu o momento de “glória” de Janaína

Janaína, na foto que abre a reportagem da Gazeta do Paraná

Janaína Paschoal foi um retumbante fracasso no concurso para professor titular da USP. Mas ela teve seu momento de gloria. O jornal Gazeta do Paraná publicou uma extensa reportagem sobre a participação de Janaína na disputa, com um perfil elogioso, com direito a frases como: “Não raro se ouvia de alunos de esquerda, até militantes acadêmicos, que gostavam de frequentar as aulas de Janaina porque eram interessantes e diferentes das dos demais professores”. Quando a reportagem foi publicada, no dia 13, o resultado ainda não havia saído e, por isso, não é feito o registro da reprovação da perfilada. Por critérios jornalísticos, não dá para entender a publicação da Gazeta do Paraná. Nenhum outro veículo cobriu o concurso em que Janaína ficou em último lugar. A própria Janaína cuidou de dar publicidade ao trabalho da Gazeta do Paraná, ao locar o link da reportagem no Twitter. A matéria é bem longa. Seguem dois trechos:

(…)

Mas o clima era outro nesta segunda-feira, 11, no Salão Nobre da Faculdade de Direito. Janaina entrou pela lateral, pouco depois das 9h da manhã, trajando uma beca preta enlaçada por um faixa vermelha, própria dos concursos, enquanto arrastava uma mala azul com estampa floral, onde guardava seus livros e anotações. Por baixo da farda acadêmica, só se podia ver o sapato Peep Toe. A candidata teria pela frente mais de cinco horas de arguição de sua tese Direito Penal e Religião: as várias interfaces de dois temas que aparentam ser estanques.

(…)

A única menção à palavra “impeachment”, nas mais de cinco horas de arguição, não apareceu senão como uma tímida nota de rodapé ao primeiro dia de concurso, que terminou numa apoteose da razão pública não transmitida em rede nacional. Como todas as notas de rodapé que faltaram na tese apresentada por Janaina, e que terão selado seu destino acadêmico, este detalhe revela muita coisa, pela ausência e pelo silêncio que marcaram o concurso mais decisivo da carreira daquela que foi uma das personagens mais instigantes da crise política brasileira entre 2015 e 2016: heroína para uns, louca para outros. Deus ou o diabo – a preferência é do fiel – mora nos detalhes.