Resgate de imigrantes em Itaquaquecetuba indica avanço de escravidão na Grande São Paulo
Uma denúncia anônima levou a Gerência Regional de Guarulhos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a libertar 14 pessoas – 9 homens e 5 mulheres – submetidas a condições análogas às de escravos em oficina de costura em Itaquaquecetuba, município na Grande São Paulo, distante cerca de 43 km do centro da capital paulista. O resgate aconteceu em 14 de março.
Todos eram imigrantes bolivianos e estavam submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, costuravam e viviam em ambientes sem condições mínimas de higiene, conforto e segurança, não eram registrados – a maioria não tinha carteira de trabalho -, e alguns estavam com os salários atrasados há pelo menos dois meses.
A ação foi coordenada pelo auditor fiscal Sergio Aoki, que contou com o apoio dos auditores fiscais Elisabete Sasse e Eduardo Halim José do Nascimento, da Regional de Guarulhos do MTE. Também participaram os procuradores Marco Antonio Tura e Ruy Fernando Cavalheiro, da Procuradoria Regional do Ministério Público do Trabalho em Mogi das Cruzes (SkP). Segundo os procuradores, nos últimos cinco anos nenhum caso de escravidão contemporânea havia sido tratado pela Procuradoria de Mogi das Cruzes.
“O trabalho escravo urbano está se expandindo para além dos grandes centros, do Bom Retiro, do Brás [zonas centrais da capital paulista], e indo para a Zona Leste; chegou no Itaim e percebemos que já já vai chegar aqui”, analisa o procurador Ruy Fernando Cavalheiro. Segundo ele, os infratores vão indo para mais longe para fugir da fiscalização. “O longe de hoje é Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba. O longe de amanhã pode ser São José do Rio Preto, a área urbana desses lugares”, conclui.
O avanço é visto com preocupação pelas autoridades, atentas ao perfil econômico da região, de indústria de peças, celulose e sítios e roças de agricultura familiar e de subsistência. Na capital, o número de casos nos bairros mais distantes da região central têm aumentado, e, se antes as denúncias ocorriam no Bom Retiro e Brás, hoje são cada vez mais comuns os casos na Zona Norte e no extremo da Zona Leste da cidade, havendo ocorrências inclusive em municípios vizinhos como Itaquaquecetuba.
Nesse caso específico, as péssimas condições a que estavam submetidos os trabalhadores escravizados chamaram a atenção da equipe. A situação é especialmente grave em função da presença de crianças no ambiente em que o grupo trabalhava e vivia.
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