Sono, saúde bucal e desempenho: Respiração pela boca pode afetar atletas; entenda

A repercussão sobre a respiração de Vini Jr. durante partidas da Seleção Brasileira reacendeu a discussão sobre a respiração bucal. Embora pareça um hábito inofensivo, especialistas alertam que respirar pela boca pode afetar a qualidade de vida, o desenvolvimento facial e o desempenho esportivo.
A respiração bucal ocorre quando a boca passa a ser a principal via de entrada e saída do ar, geralmente por causa de alguma obstrução nasal. O otorrinolaringologista Guilherme Netto afirma que as causas variam conforme a idade: em crianças, aumento da adenoide e rinite aparecem entre os fatores mais comuns; em adultos, desvio de septo, rinite crônica, sinusite e pólipos nasais costumam dificultar a passagem do ar pelo nariz.
Netto explica que a respiração pelo nariz filtra, aquece e umidifica o ar antes de ele chegar aos pulmões. Quando isso não acontece de forma adequada, o paciente pode ter sono agitado, dificuldade de concentração, cansaço e sonolência durante o dia. “O paciente que respira pela boca normalmente apresenta um sono mais agitado, pode desenvolver dificuldades de concentração e, em alguns casos, até ter prejuízos na qualidade de vida por causa do cansaço e da sonolência durante o dia”, afirma.
A condição também pode afetar a boca e o rosto, especialmente na infância. A dentista Cristiane Delmondes explica que a respiração nasal contribui para o desenvolvimento equilibrado da face. “Quando a criança respira predominantemente pela boca, podem ocorrer alterações que influenciam o crescimento facial e o posicionamento dos dentes ao longo dos anos”, destaca. Entre os sinais citados por dentistas estão boca seca, lábios ressecados, gengivas inflamadas, acúmulo de placa bacteriana, alterações no palato, mordida aberta, mordida cruzada e desalinhamento dentário.
