Retinas respondem à luz até 10 horas após a morte em estudo

Um estudo internacional manteve olhos de porcos e de humanos com atividade fora do corpo e recuperou respostas de retinas à luz até 10 horas após a morte, o dobro do limite alcançado anteriormente. O fornecimento de sangue e oxigênio conservou os órgãos e manteve sua estrutura em bom estado por até 24 horas. Os resultados saíram em junho na bioRxiv, plataforma de estudos científicos que ainda não passaram por revisão independente.
A pesquisa mira um dos maiores obstáculos para futuros transplantes de olho: a rápida perda de funcionalidade da retina após a interrupção do fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes. A OMS estima que ao menos 2,2 bilhões de pessoas tenham deficiência visual, e cerca de metade desses casos poderia ter sido evitada ou ainda não recebeu tratamento. Transplantes parciais, como o de córnea, já existem, mas o transplante total de olho segue complexo; um procedimento desse tipo ocorreu em 2023 como parte de um transplante parcial de face, sem restaurar a visão do paciente.
Os pesquisadores inseriram um tubo flexível na artéria oftálmica e fizeram a perfusão do órgão doado na Eye-in-Care-Box, dispositivo que regula pressão e fluxo sanguíneo. “Sem intervenção, a retina se degrada post-mortem, enquanto a perfusão preserva a estrutura retiniana e a viabilidade celular por até 24 horas. Os olhos foram perfundidos em até 30 minutos após a extração, e a resposta à luz recuperada persistiu por até 10 horas após a morte, desafiando a noção de que a resposta à luz termina com a morte”, escreveram os autores. Entre 36 globos oculares de doadores, 15 mantiveram respostas elétricas à luz semelhantes às de órgãos vivos; ainda não se sabe por que os outros 21 não reagiram da mesma forma, e o estudo não resolve a restauração das conexões do nervo óptico com o cérebro.
