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Reuters reedita entrevista do diretor da PF, mas alterações não eliminam gravidade do caso

Segóvia e Temer
O que mudou com a nova edição

Do Poder 360

A agência de notícias Reuters publicou uma reedição da entrevista exclusiva concedida pelo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, ao veículo. Segundo a  primeira versão divulgada, na 6ª feira (9.fev.2018), o diretor-geral afirmou que a tendência era de que o inquérito que apura irregularidades na edição do Decreto dos Portos seja arquivado.

Na nova versão, a agência esclarece que Segovia disse que até o momento não há indício de crime no caso. Ainda de acordo com a Reuters, o diretor-geral indicou, e não afirmou, que a tendência é que a corporação arquive o inquérito.

No inquérito em questão Temer é investigado por supostamente ter favorecido a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos, em troca de propina. O decreto alterou disposições legais que regulam a exploração de portos e instalações portuárias.

A repercussão da declaração de Segovia foi extremamente negativa. Entidades de classe ligadas à corporação e à magistratura criticaram o diretor-geral.

Ontem (10.fev), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso intimou Fernando Segovia a dar explicações sobre a entrevista. Barroso é o relator do caso. “Tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal”, disse o ministro.

Em nota, Segovia disse que “em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado”.

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PS: A reedição atenua, mas não elimina a gravidade da declaração do diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia. Ele não conduz o inquérito — portanto, não tem autoridade legal para fazer comentários a respeito da investigação. Além disso, quem decide pelo arquivamento é o Ministério Público Federal, não a polícia.