Revista Superinteressante explica a Olavo de Carvalho por que nem a Terra nem a superfície das águas são planas

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Tudo começou nesta quarta-feira, 29 de maio, quando Olavo de Carvalho escreveu o seguinte no Twitter: “Não estudei o assunto da terra plana. Só assisti a uns vídeos de experimentos que mostram a planicidade das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute.”
Olavo foi taxado imediatamente de terraplanista, mas refutou o rótulo com um argumento sensato: “Na minha profunda miséria intelectual, para eu saltar desses experimentos para a teoria geral da terra plana eu precisaria de muitos meses de observações e comparações.”
Felizmente para o Olavo, ele está no mínimo um século atrasado: muita gente já fez as necessárias “observações e comparações” – tanto sobre a hipótese mais restrita da água plana quanto sobre a hipótese mais abrangente da Terra plana.
Tudo começou no século 19, em um trecho de 9,7 km de um rio retificado artificalmente, localizado no condado de Cambridgeshire, ao norte de Londres, na Inglaterra. Em 1838, Samuel Rowbotham – uma personalidade terraplanista da época, que largou a escola aos nove anos e atendia pelo pseudônimo “Paralaxe” – afirmou que havia comprovado a planicidade das superfícies aquáticas em um experimento realizado por lá.
O experimento consistia em observar um barco se afastar de um observador localizado em uma ponte em uma das extremidades do trecho reto de 9,7 km. Se a Terra de fato fosse curva, Rowbotham hipotetizou que, conforme o barco se afastasse rio abaixo, ele o veria desaparecer atrás da linha do horizonte. O barco não desapareceu, e Rowbotham concluiu assim que o planeta era plano.
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