Não era herói? Novo filme revela o lado sombrio de Robin Hood que a Disney apagou

O novo filme “A Morte de Robin Hood”, dirigido e escrito por Michael Sarnoski, revisita uma versão mais sombria do personagem que a cultura popular consagrou como herói. Hugh Jackman interpreta um Robin Hood envelhecido, marcado por batalhas e confrontado pela própria lenda. Em uma fala, ele nega a imagem virtuosa do justiceiro: “Ele não era um herói. Ele roubava e matava para se divertir, nada mais que isso.”
Essa leitura se aproxima mais das lendas medievais do que da figura do benfeitor que rouba dos ricos para dar aos pobres. As histórias circularam pela tradição oral no século 12, mas os primeiros registros escritos surgiram cerca de dois séculos depois. Neles, Robin não era o nobre Sir Robin de Locksley das versões posteriores, e sim um pequeno proprietário rural, pouco acima dos camponeses na hierarquia social. Lady Marian só entrou na narrativa no século 16.
A historiadora medieval Amy S. Kaufman descreve o Robin Hood das primeiras lendas como “um vigarista medieval moralmente questionável” e um “malandro, violento e irreverente”. A imagem mudou com o tempo: no século 16, durante o reinado de Henrique 8º, o personagem ganhou contornos mais aceitáveis para as classes altas; no século 19, livros infantis suavizaram sua violência; e, no século 20, o cinema consolidou o aventureiro generoso, de Errol Flynn à animação da Disney de 1973.
Sarnoski disse à BBC que o contraste entre o desenho da Disney e a balada medieval A Morte de Robin Hood o impressionou desde a infância. No filme, Jodie Comer interpreta a prioresa, personagem que ganha tratamento menos maniqueísta do que na tradição original. Kaufman também trabalha essa ambiguidade em seu romance “The Traitor of Sherwood Forest” (O traidor da Floresta de Sherwood), de 2025. “A Morte de Robin Hood” está em cartaz nos cinemas brasileiros.
