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Rosinha Garotinho acusa ex-presidente do TJ do Rio, Luiz Zveiter, de estar por trás da prisão do marido

Rosinha Garotinho em entrevista ao site SRZD:

No início de agosto do ano passado, o meu marido me disse que foi procurado por um intermediário do senhor Luiz Zveiter chantageando-o caso ele viesse a denunciá-lo à Procuradoria geral da República, em Brasília, por recebimento de propina da Delta Construtora, juntando documentos a denúncia que fez contra o grupo de Cabral que está uma boa parte presa. O portador da mensagem foi claro: “ou você deixa ele fora disso, ou ele vai cassar a sua mulher, e infernizar a sua vida”. Inclusive, falou coisas incríveis que vieram tempos depois a se concretizar.

O que por exemplo?

Ele disse que Zveiter seria absolvido no caso Cirella, que ele seria candidato presidência do Tribunal(mesmo sem poder) e venceria a eleição, a minha própria cassação às vésperas da eleição de 2016 e outros fatos que o meu marido não trouxe à tona porque o referido cidadão envolveu nomes de pessoas que podem estar sendo vítimas de uma leviandade por parte do interlocutor. Este mesmo falou inclusive sobre a operação chequinho referindo-se a ela como um trunfo que eles teriam nas mãos. E disse ainda que Zveiter foi procurado por políticos de Campos acompanhados por um delegado e um promotor. E que se Garotinho denunciasse o magistrado ele colocaria um juiz para se unir ao grupo, do delegado, promotor e dos tais políticos.

Eles citaram nomes?

Não quero dar mais detalhes desse assunto, até porque à época que o Garotinho me relatou tais fatos decidiu que trataria deste assunto junto ao Conselho Nacional de Justiça para não expor outras autoridades que podem estar tendo os seus nomes usados indevidamente. Ele tem como provar tudo que ocorreu.

A senhora está dizendo que a operação Chequinho foi uma retaliação?

Sim! Foi. Como também a primeira prisão do Garotinho. No dia 4 de novembro o meu marido protocolou na PGR(Procuradoria Geral da República), em Brasília, complementos a denúncias que havia feito em 2012 contra o grupo de Cabral e acrescentou denúncias contra Zveiter e outros. Na ocasião ficou agendado um retorno a PGR para entrega de mais documentos, se não me falho a memória, no dia 24 do mesmo mês. E o que aconteceu antes disso? No dia 16 prenderam o meu marido.

A senhora está afirmando que aquela prisão pode ter sido motivada para impedi-lo de voltar à PGR para complementar as denúncias?

Você não acha muita coincidência que agora também ele tenha sido preso no dia seguinte a uma audiência onde se recusou a fazer uma retratação ao senhor Zveiter? Garotinho, inclusive, nesta audiência pediu para utilizar a excessão da verdade para provar tudo que disse e esta audiência está marcada para o próximo dia 25, segunda-feira. Creio que será remarcada.

A senhora acredita que o desembargador Luiz Zveiter tenha ascendência sobre o promotor Leandro Manhães?

O caso do promotor é outro. O Garotinho o denunciou muito antes da operação Chequinho por cometimento de vários crimes, inclusive, é inacreditável não se tenha reconhecido a suspeição de um promotor que responde a um procedimento de investigação criminal no Ministério Público do Estado cujo autor da denúncia é o Garotinho.

Quais fatos o Garotinho apresentou contra o promotor Leandro Manhães?

Vou tratar genericamente do assunto pois sei que foi decretado Segredo de Justiça desse caso, mas posso afirmar sem entrar em detalhes que o Garotinho denunciou o promotor como integrante de uma organização criminosa, que possui “laranjas” para esconder seu verdadeiro patrimônio. Entre eles, um policial civil que o Garotinho também já o denunciou na Corregedoria da sua instituição. São muitos crimes, mas por estar em Segredo de Justiça, não posso me estender. Tudo que o Garotinho entregou ao Grupo de Combate ao Crime Organizado do MP está documentado.