Saiba o que é o lítio, a riqueza no deserto de sal da Bolívia

Publicado em 12 novembro, 2019 9:20 am
Piles of salt, a byproduct of lithium extraction, at the new state-owned lithium extraction complex at the Uyuni Salt Flat, Bolivia
Piles of salt, a byproduct of lithium extraction, at the new state-owned lithium extraction complex at the Uyuni Salt Flat, Bolivia (AFP Photo/Pablo COZZAGLIO, Pablo COZZAGLIO)

De Enrico Fantone na Revista Galileu.

O GPS marca: 20°08’01 Sul 67°29’20 Oeste. Salar de Uyuni, Bolívia, América do Sul. A 3.760 metros de altitude, o vento sopra forte, e o sol parece tão próximo que dá a impressão de que podemos tocá-lo. Os operários têm o rosto tapado com capuzes de lã e óculos escuros para se proteger dos raios solares. Parecem fazer pouco caso do ar rarefeito, capaz de imobilizar as pernas e, a qualquer esforço, lançar nossos batimentos cardíacos a um ritmo galopante. São 70, e trabalham no projeto mais importante de seu país: a construção da primeira instalação industrial de exploração de lítio. O salar de Uyuni, um deserto branco de sal de 12 mil quilômetros quadrados localizado no sul da Bolívia, é onde está a maior jazida do mundo desse precioso material.

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Desde que o presidente dos EUA, Barack Obama, lançou seu plano de eficiência energética — US$ 16 bilhões de investimentos, dos quais US$ 2 bilhões para criar baterias mais eficientes e duradouras, surgiu uma febre do lítio, que promete repetir no enorme deserto branco boliviano, o maior do mundo, algo equivalente à Corrida do Ouro do final do século 19, na Califórnia.

É fácil entender o porquê: atualmente, eficiência energética significa lítio, um metal volátil encontrado em abundância na salmoura de Uyuni, um mar de água e cloreto de sódio. Segundo estudos recentes, Chile, Bolívia e Argentina possuem, juntos, 75% de todas as reservas mundiais de lítio. O Chile é o principal produtor mundial. A Argentina, com um único local de extração, na província de Catamarca, noroeste do país, e explorada pela corporação norte-americana FMC Lithium, está em terceiro lugar, depois da China. A Bolívia ainda não entrou de fato no jogo, mas quando o fizer não haverá competição possível, dado que o salar de Uyuni abriga 50% de todo o lítio presente no planeta.

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