Saiba por que músicas grudam na mente, segundo neurologistas

O fenômeno dos earworms — quando um trecho musical se repete involuntariamente na mente — atinge até 90 por cento das pessoas semanalmente, segundo estudos internacionais. Neurologistas brasileiros explicam que essa repetição nasce de um circuito automático entre o córtex auditivo, o hipocampo e o sistema límbico, regiões ligadas à memória, ao processamento de sons e às emoções. O cérebro tenta completar padrões musicais quando lembra apenas de parte de uma canção, o que ajuda a fixar refrões de 15 a 30 segundos.
A chamada Brain Default Network, ativada quando a mente está em descanso, também contribui para o loop, o que explica por que a música surge em momentos como banho, caminhada ou direção automática. Disparadores não sonoros, como cheiros, imagens ou frases, podem reativar melodias armazenadas. Há ainda envolvimento de áreas motoras da fala e de mecanismos de memória de trabalho, como o phonological loop, que mantém sons ativos por alguns segundos.
Características específicas tornam algumas músicas mais propensas a “grudar”: melodias simples, riffs marcantes, repetições e leves surpresas rítmicas. Pessoas com traços obsessivos, músicos, ouvintes frequentes ou indivíduos sob estresse tendem a ter episódios mais intensos. Especialistas afirmam que tentar expulsar a música piora o quadro, já que reforça o circuito de memória. Ouvir a canção completa, trocar por outra mais complexa, fazer tarefas que exigem foco ou mascar chiclete podem ajudar a interromper o loop.
Na maioria das vezes, os earworms são inofensivos. Porém, neurologistas alertam para a perpetual music track, condição rara em que o loop é contínuo por dias ou semanas e interfere no sono e na rotina. Nesses casos, é necessária investigação médica para descartar distúrbios obsessivos graves, alterações neurológicas, epilepsias do lobo temporal ou efeitos de medicamentos.
