Saiba qual cidade paulista já foi a “Hollywood brasileira”

Em Paulínia, no interior de São Paulo, um ambicioso polo cinematográfico criado nos anos 2000 transformou a cidade em referência nacional, mas hoje enfrenta abandono. O projeto foi idealizado na gestão do então prefeito Edson Moura e ganhou força com a inauguração do Theatro Municipal de Paulínia, em 2008. Duas décadas depois, parte da estrutura está deteriorada e fechada ao público, segundo levantamento da revista Superinteressante.
O complexo incluía estúdios, editais de fomento e o Festival Paulínia de Cinema, que atraíram nomes como Fernanda Montenegro e Selton Mello. Produções como O Palhaço foram exibidas em sessões lotadas. A proposta era diversificar a economia local, impulsionada pela arrecadação ligada à refinaria Replan, e preparar o município para um futuro além do petróleo.
Com recursos do Fundo Municipal de Cultura, abastecido por percentuais de ISS e ICMS, a prefeitura lançou editais milionários e exigiu contrapartidas das produções, como gastos e filmagens na cidade. A iniciativa buscava descentralizar o audiovisual do eixo Rio-São Paulo e seguir modelos internacionais de incentivo, combinando infraestrutura, festivais e financiamento público para movimentar a economia local.
A partir de 2012, após mudança de gestão, os editais e o festival foram suspensos sob alegação de alto custo. O município viveu sucessivas trocas de prefeitos e interrupções nas políticas culturais. Sem continuidade administrativa, o projeto perdeu força. Hoje, o teatro permanece fechado e parte do complexo teve outras destinações, enquanto a retomada do polo ainda depende de definições concretas.
