Saída de ministros e aliados próximos do PT mostram a pressão das eleições em Temer
Reportagem de Miguel Martins no site da Carta Capital aponta que o governo Michel Temer passa por novas crises com pressões eleitorais. Mudanças inclusive podem beneficiar o PT no processo.
Dias antes do Natal, Eunício Oliveira, presidente do Senado, participou de um evento de lançamento de 495 unidades do Minha Casa, Minha Vida no Ceará. O discurso do senador peemedebista em nada lembrava a sua atuação como um dos integrantes principais da base governista de Michel Temer no Congresso.
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A possibilidade de Eunício apoiar uma eventual candidatura de Lula, que pode ser barrada a depender da decisão em segunda instância na Justiça, é um dos exemplos de possíveis alianças entre integrantes do partido de Temer e a oposição. Em outros quatros estados do Nordeste, PT e PMDB discutem compartilhar o palanque nas eleições.
Enquanto parte do PMDB flerta com a oposição, o governo perde quadros para a disputa eleitoral. Em menos de um mês, três ministros de Temer desembarcaram do governo. O último deles foi Marcos Pereira, que deixou a pasta da Indústria, Comércio Exterior e Serviços na quarta-feira 2. Presidente do PRB, partido ligado à Igreja Universal, ele avalia a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara neste ano.
Ronaldo Nogueira, do PTB, deixou o ministério do Trabalho em 27 de dezembro. Assim como Pereira, ele se prepara para lançar uma candidatura a deputado federal. Em seu lugar, assumiu Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no processo do “mensalão”.
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Em 8 de dezembro, o tucano Antonio Imbassahy deixou a articulação política do governo para dar lugar ao deputado Carlos Marun, aliado do ex-deputado Eduardo Cunha e um dos mais ferrenhos defensores de Temer no Congresso.
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A saída de ministros de pastas importantes como Trabalho, Indústria e articulação política, aliada a uma tendência do presidente do Senado em inclinar-se favoravelmente ao PT em 2018, mostra que a base de Temer começou a se desidratar.
Ventilado como possível candidato a presidente pelo DEM, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, marcou a votação da reforma da Previdência para fevereiro e garantiu recentemente ser possível aprová-la mesmo em ano eleitoral.
O principal baluarte do reformismo do governo também flerta com a Presidência. Henrique Meirelles, ministro da fazenda, defende um candidatura governista ao Planalto em 2018 que não seja a do tucano Geraldo Alckmin. Recentemente, o ministro afirmou que sua eventual candidatura pode jogar a favor da aprovação da reforma da Previdência.
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