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“Sangue de Cristo”: Juiz acusa mãe de santo de intolerância após denúncia por racismo religioso

Sede do Ministério Público da Paraíba (MPPB), em João Pessoa — Foto: Ascom/MPPB

Uma decisão da Justiça da Paraíba provocou repercussão ao inverter uma acusação de racismo religioso. A mãe de santo Lúcia de Fátima processou um motorista de aplicativo que se recusou a buscar uma integrante de seu terreiro, que havia solicitado uma corrida para levá-la a uma consulta médica de urgência. O motorista cancelou a viagem e enviou a mensagem “Sangue de Cristo tem poder, quem vai é outro kkkkk tô fora”. No entanto, o juiz Adhemar de Paula Leite Ferreira Neto concluiu que quem cometeu intolerância foi a própria religiosa, ao considerar ofensiva a frase enviada.

A ação pedia indenização de R$ 50 mil, mas foi negada. O magistrado afirmou que a mensagem era uma “livre manifestação de crença” e que o motorista tinha direito de recusar a viagem. A decisão gerou reação de entidades religiosas e do Ministério Público da Paraíba, que pediram apuração da conduta do juiz por possível racismo institucional e desrespeito ao Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial.

Abalada com a sentença, Lúcia de Fátima afirmou que o caso atingiu não apenas sua fé, mas toda a comunidade de terreiro. O CNJ informou que ainda não há processo aberto, mas o Ministério Público enviou representação pedindo investigação da conduta do magistrado.

Mensagens entre motorista da Uber e mãe de santo. Foto: Reprodução