Como São Paulo se tornou referência do punk na América Latina

São Paulo ajudou a consolidar uma das maiores cenas punk da América Latina desde os anos 1970, quando jovens de bairros da periferia passaram a trocar fitas e buscar referências fora do rock que predominava nas rádios. Grupos como Restos de Nada e Inocentes surgiram nesse ambiente, marcado por shows em escolas, salões de igreja e garagens, além da produção independente de discos, fanzines, camisetas e cartazes.
A Estação São Bento, no Centro, tornou-se o principal ponto de encontro da cena paulistana. Ali circulavam fitas cassete, contatos e informações sobre apresentações, conectando jovens de regiões distantes da cidade. Em 1982, cerca de quatro mil pessoas foram ao Sesc Pompeia para o festival O Começo do Fim do Mundo, considerado um marco da consolidação do punk no país.
Quase meio século depois, a cena segue ativa em pequenos eventos e com novas bandas. Para Clemente Nascimento, fundador do Restos de Nada e dos Inocentes, o gênero deixou de ser novidade, mas não desapareceu: “Continua surgindo banda nova. O punk nunca deixou de existir.” Os temas também se atualizaram, com críticas ao trabalho por aplicativos, à precarização dos empregos, à escala 6×1, ao custo de vida e ao avanço do conservadorismo.
