A saturação das delações na Lava Jato em Curitiba
Do Estadão:
Está mais difícil fechar delação premiada na Lava Jato, em Curitiba. Com 154 acordos em 3 anos e meio de investigações, ainda há espaço para novos delatores, mas aumentaram as exigências do Ministério Público Federal sobre os crimes e provas a serem revelados em troca de uma redução de pena, afirmam investigadores e advogados ouvidos pelo Estadão. Como alternativa, defensores têm buscado diretamente a Justiça.
Preso desde setembro de 2016, o ex-ministro Antonio Palocci (governos Lula e Dilma) é um dos candidatos a delator da Lava Jato que enfrentam problemas para obter um acordo. Há três meses seus advogados buscam, sem sucesso, a força-tarefa da Procuradoria, para iniciar uma negociação formal. Palocci foi condenado em junho a 12 anos de prisão, pelo juiz federal Sérgio Moro, e ainda é alvos de outros processos.
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A dificuldade enfrentada por Palocci e outros acusados pela Lava Jato tem duas origens. Uma é a natural saturação de acordos fechados em Curitiba, origem das investigações de desvios na Petrobrás, liderada por políticos do PT, PMDB e PP. A segunda – e mais preocupante – é a repercussão pública negativa sobre o instituto da delação gerada pelos dois maiores acordos fechados neste ano pela Procuradoria-Geral da República (PGR): os da Odebrecht e da JBS.
A imunidade dada aos irmãos Joesley e Wesley Batista – que gravaram o presidente, Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e um procurador da República em conversas suspeitas – arranhou a imagem pública do instituto da delação e desencadeou a maior contra ofensiva de políticos e investigados que buscam no Congresso e no Judiciário impor limites para os acordos.
