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“Saudade” existe em outras línguas? entenda por que essa ideia é um mito

Primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões
Primeira edição de “Os Lusíadas”, obra de Luís de Camões. Foto: Reprodução

A ideia de que “saudade” existe apenas em português é um mito. Embora o termo tenha um peso cultural marcante nos países de língua portuguesa, sentimentos ligados à ausência, à distância e ao desejo por algo que não está presente também recebem nomes em outros idiomas.

O professor Marco Neves, da Universidade Nova de Lisboa, cita o romeno “dor” como uma palavra de sentido próximo. O galês e o turco também têm termos semelhantes. Para ele, falantes de outras línguas podem igualmente considerar que a palavra usada em seu idioma é única e expressa uma experiência exclusiva de seu povo.

A palavra saudade se consolidou na história e na literatura em português, com presença na obra de Luís de Camões e no poema de Fernando Pessoa que diz: “Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem. Porque têm essa palavra. Para dizer que as têm.” A origem do termo não é consenso entre linguistas: há hipóteses de ligação com o latim “solitas” e de influência árabe. Neves afirma que a palavra surge apenas no século 16, sem registros conhecidos na poesia medieval portuguesa.